o que faz um analista?

Perceba este contexto: numa conversa sobre um assunto com alguém, este interlocutor está numa posição de par, tendo espaço para emitir opiniões e julgamentos, bem como interferir no curso da conversa. Via de regra, o interlocutor reage ao que é dito.

A análise, no entanto, não é uma conversa. Há um momento inicial em que o analisando é acolhido pelo analista, mas o analista não está em posição de reagir diretamente ao que é dito. Cabe a ele pontuar o que escuta sobre o que não é dito. Ele não deve dizer se algo trazido pelo analisando é adequado ou não, se é desejável ou reprovável. Seu papel é o de pontuar uma repetição que se dá em relatos aparentemente desconexos no repertório do analisante, ou ainda, o de marcar algo recorrente na fala do analisando que o próprio analisando não percebe.

Esse trabalho está diretamento ligado ao tripé psicanalítico proposto por Freud — estudo teórico, análise pessoal, e prática clínica supervisionada. Isso porque o analista não detém um conhecimento pronto, que o serve como manual para ser consultado, sobre o que o analisando deve fazer para diminuir seu sofrimento. Ele auxilia o analisando em percorrer o seu caminho ajudando-o a se haver com o que de fato o faz sofrer.